V. 86 N. 333 (2026): Humanismo cristão e diálogo cultural
Disponibilizar alguns aspectos com os quais articular cultura atual e humanismo cristão é o propósito do dossiê deste número da REB. Para isso, os autores aqui presentes, particularmente eles, propuseram-se e continuam se propondo uma tarefa de escuta e discernimento, ou seja, de pesquisa, análise e interpretação. E, uma das percepções da pesquisa – percepção generalizada – costuma ser expressa com a palavra “crise”. Associada ao ser humano, ela é intuída e relativamente circunscrita como percepção e demonstração de vazio, sem-sentido, pós-verdade, descrença, confusão, angústia, morte, entre outras indicações. Por sua vez, o discernimento da pergunta pelo humano, em antropologia teológica, pode ser expresso como plenitude, sentido, verdade, dignidade, esperança, segurança, paz, compromisso social; numa palavra e enquanto humanismo “cristão”, como amor, como dom, como referente a Jesus Cristo, “Palavra eterna do Pai, que é Amor”. Traços marcantes e fundamentais do diálogo entre cultura e humanismo, e humanismo cristão, preciosa e desejada perspectiva também e sobretudo em nossos dias, aqui, podem ser encontrados nas contribuições de: Gelson Luiz Mikuszka, Carlos Alberto Motta Cunha e Junior Vasconcelos do Amaral e René Armand Dentz Jr., Clelia Peretti e Rafael Henrique da Costa e Matheus Manholer de Oliveira, César Andrade Alves, Ceci Maria Costa Baptista Mariani e Marcos Antonio Radaelli de Melo, Rogério Luiz Klaumann de Souza.
Em assuntos avulsos, contamos com Ari Pedro Oro, que indica as principais tendências no campo religioso brasileiro a partir do Censo de 2022. A seguir, André Langer, Ildo Perondi e João Ferreira Santiago, em vista do Encontro das CEBs, neste ano, no Paraná, relacionam CEBs com Igreja em saída às periferias humanas. Erisvaldo Pereira dos Santos se ocupa do diálogo entre a teologia cristã católica e as religiões brasileiras de matrizes africanas, afrontando o desafio da intolerância e do racismo religioso. Por sua vez, Paolo Cugini pensa e propõe um pensar teológico conectado com as contínuas contribuições das ciências. E, por fim, Agenor Brighenti, a partir da Exortação apostólica Dilexi te, assinala e reforça a trajetória do exercício da caridade por parte da Igreja católica, destacando que a perspectiva em relação à “opção pelos pobres” consiste em viver a “pobreza evangélica” e assumir a “pobreza solidária”, contribuindo para erradicar a “pobreza sociológica”.
Votos de profícua leitura e agradecimento aos articulistas.
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Elói Dionísio Piva, ofm
Redator