A “virada popular” inibida. Proposta missionária do Vaticano II no cinquentenário de sua abertura à luz da pastoral latino-americana

Paulo Suess

Resumo


O Vaticano II é um evento histórico e local que exige, em cada tempo e espaço, leituras novas e específicas. No tabuleiro da caminhada destes anos pós-conciliares, tudo estava em movimento. Para invalidar ou relativizar o Vaticano II, certos setores argumentam que hoje os tempos seriam outros. É um argumento que pode servir também para a leitura da Bíblia, dos dogmas e de todos os concílios da história da Igreja. Já que os tempos sempre são outros não podemos ler o significado de nenhum evento histórico como ponto final. Portanto, o Vaticano II é ponto de partida, face às “realidades sujeitas à permanente evolução” (GS 91,2). Reinterpretações históricas fazem parte da fidelidade à mensagem original e da audácia que a história exige (cf. DAp 11).

No cinquentenário da abertura do Vaticano II podemos perceber que a recepção documental do Concílio foi melhor do que sua recepção real. Precisamos retomar seus eixos teológico-pastorais e transformar sua eclesiologia em estruturas que correspondam ao aggiornamento do século XXI. Podemos desinibir a “virada popular” interrompida através de três avanços que apontam para os sujeitos e as estruturas eclesiais: a opção com os pobres/outros, a requalificação do laicato como povo de Deus, e a construção de uma Igreja, universalmente, articulada em rede e, localmente, autóctone.

Abstract: The Vatican II is a local and historic event that requires, at every time and space, new and specific readings. On the boardwalk of these post-conciliar years, everything was in motion. To invalidate or relativize the Vatican II, certain sectors argue that today things are different. This is an argument that can also be used with reference to the reading of the Bible, to the dogmas and to all councils in the history of the Church. Since the times are always different we cannot read the meaning of any historical event as the final point. Therefore, the Vatican II is the starting point, in the face of the “realities subject to the permanent evolution” (GS 91.2). Historical reinterpretations are part of the fidelity to the original message and of the boldness required by history. (cf. DAp 11).

On the fiftieth anniversary of the opening of Vatican II we can see that the documental reception of the Council was better than its actual reception. We need to regain its theological-pastoral axes and transform its ecclesiology in structures that correspond to the aggiornamento of the 21st century. We can disinhibit “the popular turn” interrupted by three developments that point to the ecclesial subject and ecclesial structures: the option for the poor / others, the requalification of the laity as God’s people, and the construction of a Church that – universally – is articulated as a network and – locally – is autochthonous.

Palavras-chave


Concílio; Vaticano II.

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DOI: http://dx.doi.org/10.29386/reb.v72i288.811

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